É tentador avaliar um pavimento pelo que se vê: trincas, panelas, remendos. Mas a condição da superfície conta só metade da história. A outra metade, muitas vezes decisiva, está escondida na estrutura, e se lê pela deflexão.
Trincas: o sintoma visível
As trincas e demais defeitos de superfície indicam que algo já está acontecendo no pavimento. São essenciais para o inventário da via e para os índices de condição, mas quando aparecem em quantidade, boa parte do dano estrutural já está feita. Tratar só a superfície de um pavimento estruturalmente comprometido é enxugar gelo: o defeito volta.
Deflexão: a causa invisível
Deflexão é a deformação vertical que o pavimento sofre quando uma carga passa por cima. Ela mede a capacidade estrutural da via: quanto mais o pavimento cede sob carga, mais fragilizada está a estrutura. Uma deflexão elevada sinaliza que a falha vai acontecer, mesmo que a superfície ainda pareça razoável.
É por isso que a deflexão é um indicador preditivo. Ela permite identificar trechos que precisam de reforço estrutural antes que virem trincas generalizadas e, mais tarde, reconstrução, sempre mais cara.
Medindo a estrutura sem parar a via
O Deflectógrafo LACROIX da VER Rodovias mede a deflexão de forma contínua e simultânea nas trilhas de roda interna e externa, em pavimentos flexíveis e semirrígidos. O levantamento cobre grandes extensões por dia, com precisão da ordem de centésimos de milímetro.
- Monitorar a evolução estrutural da rede conforme o tráfego
- Detectar zonas defeituosas que precisam de reforço
- Controlar a execução e a eficácia de reforços aplicados
- Combinar dado estrutural (deflexão) com funcional (IRI) e de superfície (trincas)
Lendo as trincas e a deflexão juntas, o gestor deixa de reagir ao defeito visível e passa a agir sobre a causa, no momento em que a intervenção ainda é barata.